Cristhian Grey
A casa está cheia. Música alta bombeia nas paredes e as
pessoas conversam e transam e bebem, não
necessariamente nessa ordem. Eu tinha me certificado que
o meu quarto estivesse trancado, a última coisa que eu
preciso é gozo de desconhecidos nos meus lençóis.
Eu tomo um gole de vodca enquanto penso nas
estratégias para o próximo jogo. Nós enfrentaremos
Princeton, um dos nossos maiores rivais. O jogo seria na
nossa casa, o que nos dava vantagem, mas eles também
eram bons, a previsão do tempo indica chuva, o que pode
ser bom para nós.
Pensar em chuva me faz pensar em sprite. Pergunto-me
se ela irá assistir ao jogo no nosso estádio. Na próxima
aula eu faria questão de convidá-la. Ainda não consigo
entender por que ela não aceitou tomar um café comigo, é
claro que nós tivemos um momento enquanto estávamos
sob o seu guarda-chuva verde. Havia uma química entre
nós.
Fazia um longo tempo desde que eu tinha recebido um
não de uma garota. Nem sei se existiu alguma vez. Sem
querer parecer um idiota, mas geralmente eu nem preciso
colocar muito esforço, as garotas simplesmente vêm até
mim. Eu jogo futebol desde que posso me lembrar e as
garotas gostam de jogadores de futebol e não é ruim que
eu também tenha uma aparência razoável.
Claro, talvez elas só estivessem interessadas em mim
porque eu sou Cristhian Grey, desde que eu tinha 14 anos as
pessoas diziam que eu seria uma das maiores lendas do
futebol americano.
Duende, claramente, não faz ideia de quem sou eu.
Balanço a cabeça querendo me livrar daqueles
pensamentos, estou ruminando demais sobre aquele
assunto. Não sou nenhum idiota que não consegue aceitar
um não de uma mulher.
Acho que esse é um indicativo de que eu estou
precisando foder. Faz mais de uma semana desde a última
vez que transei e a falta de sexo está tirando os meus
pensamentos de ordem. Óbvio, só pode ser isso.
Meus olhos começam a vagar em meio a pista de dança
improvisada que foi feita na sala, a procura de uma garota
que despertasse o meu interesse. Havia lindas garotas
essa noite. O começo do ano é sempre interessante,
muitas calouras recebem o seu primeiro gosto de liberdade
na vida e elas sabem aproveitar isso e vão a loucura.
Meu olhar para em uma garota. Ela está de costas,
perdida em seu próprio mundo enquanto dança sozinha no
meio da pista, em meio a casais que se esfregam ela
balança seu corpo esguio e rebola sua bunda muito
redonda ao som de The hills de The weeknd. A garota
realmente sabe como mexer aquela delícia de bunda e
suas pernas bronzeadas e torneadas realmente são uma
alegria para os olhos. Posso notar como ela está
recebendo atenção, não se via muitas garotas de Yale
dançando Twerk.
Eu acho que conheço essa bunda.
Como se ouvisse os meus pensamentos ela se vira
dando-me uma visão do seu rosto. Duende. Uma mão sua
está apoiada na coxa enquanto ela segura um copo
vermelho com a outra mão e balança a bunda, há um
sorriso largo no seu rosto como se estivesse tendo o
melhor tempo da sua vida.
O seu sorriso some quando um cara se aproximou,
encostando o corpo contra as suas costas. Vejo que é
Spencer, um dos jogadores do meu time. Os grandes olhos
de sprite se arregalam ainda mais e ela tenta se afastar
dele, mas as grandes mãos de Spencer agarraram os seus
quadris a mantendo contra seu grande corpo. Avanço na
direção deles e assim que os alcanço meu punho atinge o
ombro de Spencer, com força.
Ele parece irado por um momento antes de seus olhos
encontrarem o meu rosto e ele perceber que sou eu, logo
os seus olhos se arregalaram. Spencer sabe que eu não
aceito esse tipo de lixo dos jogadores do meu time. Ele é
um cara grande, com mais de dois metros e cem quilos.
— Você está com merda na cabeça? Se forçando em uma
garota dessa maneira sem permissão? Que porra é essa
Spencer? — Digo com toda a irritação que eu sinto.
— Desculpa, cara, ela é gostosa e eu...
— Você vai se foder. — Afirmo. — É melhor sair da minha
casa e eu espero não ver merda como essa novamente ou
o treinador vai saber.
O treinador tem cinco filhas e é mais rígido do que eu
quando se trata da forma correta de se tratar uma garota.
— Acho que você vai pensar duas vezes antes de
esfregar esse pinto por aí quando ele cortar suas bolas
fora.
Ele leva as mãos até o meio das pernas e seu rosto se
contorce, como se pudesse sentir a dor.
— Merda, C. Desculpa. Ok? Não precisa agir feito um filho
da puta. — Ele diz, cheio de irritação. — Eu vou embora.
— Não antes de pedir desculpas a Sprite. — Digo,
finalmente encontrando o olhar de duende que me fita com
olhos arregalados.
Eu não posso evitar quando os meus lábios se curvam em
um sorriso dirigido a ela. Quem poderia imaginar que nos
encontramos novamente e no mesmo dia? Não consigo
acreditar que ela está na minha casa, e ela parece tão bem
quanto eu me lembro, duende é sem dúvidas uma das
garotas mais lindas que eu já conheci, o seu rosto parece
algo saído de uma pintura.
Seus lábios pintados de vermelho se abrem em um
sorriso dirigido a mim e eu estou começando a imaginar
que hoje é o meu dia de sorte.
— Sprite? Seu nome é sprite? — Spencer questiona a
ela, as sobrancelhas unidas com confusão.
— Não, o meu nome é Anastácia. — Ela responde a ele, ainda
olhando para mim, os seus olhos azuis brilhantes como
luzes de natal.
O meu sorriso se esvai após ouvir o seu nome. Anastácia. Eu
já ouvi aquele nome antes.
— Anastácia? O que está acontecendo? —David questiona, se
aproximando de nós.
Os olhos de David nos estudam quando ele se aproxima
de sprite e repousa um braço pesado nos seus ombros a
enfiando contra o seu lado, é um gesto claro de
possessividade.
Meus olhos estão cravados em Anastácia que me encara de
volta, ela engole em seco e pela primeira vez eu vejo como
seus olhos param de brilhar como luzes de natal.
— Vocês não estão dando em cima da minha garota,
estão? — David diz com um sorriso de merda, em seguida,
ele inclina o rosto e beija Anastácia.
Pergunto-me onde ele estava a minutos atrás quando sua
namorada estava sendo agarrada na pista de dança. Idiota.
Spencer parece perceber que tinha feito uma grande
merda e praticamente saiu correndo, definitivamente
saindo de cena. Você pensaria que alguém tão grande
seria mais corajoso, mas existe uma regra quase sagrada
não dita entre os caras dos times, nada de se envolver com
as namoradas, irmãs ou mães de um dos outros.
Quando David deixa de engolir rosto de Anastácia, o idiota
realmente precisa de umas aulas para aprender a beijar
uma mulher, enquanto ele a beijava Anastácia parecia tensa
como uma tábua e eu sentia um desconforto invadir o meu
estômago. Na verdade, sinto-me um idiota por estar parado
ali os observando. Merda.
— Cristhian, essa é minha garota Anastácia Stelle. — David
apresenta. — Baby, esse é o nosso QB CristhianGrey.
— Muito prazer, Anastácia Stelle. — Eu digo estendendo a mão
para ela que coloca a pequena mão na minha.
Sinto minha pele se arrepiar com o contato das nossas
mãos e vejo como acontece o mesmo com ela, os fios do
seu braço se erguendo.
— É só Anastácia. Muito prazer. — Ela diz, soltando minha
mão rapidamente, como se minha pele lhe queimasse.
Sua língua rosada sai umedecendo os lábios. Ela está
nervosa? Confusa? Anastácia tem os lábios mais perfeitos,
pequenos e carnudos. Lindos demais para serem
maltratados por uma lastimável tentativa de um beijo de um
idiota feito David, eu penso amargamente.
— Você deve ser o famoso Cristhian Grey. — Ela diz com um
sorriso fraco.
— Famoso? Não tenho certeza. Muitas pessoas não
fazem ideia de quem eu sou.
Eu pisco para ela. Não posso acreditar que Anastácia, a
namorada que David constantemente traia era duende, a
garota que eu quase beijei — que eu realmente queria
beijar — essa manhã. Eu sou um azarado do caralho ou
não?
Continua...