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sábado, 18 de março de 2023

Sob Proteção do Lobo Prólogo


Sob proteção do lobo

Prólogo 

 A música lenta envolvia meu coração. O vestido longo com 

contas brilhantes que reluziam sobre o tecido preto pesava a cada 

novo giro que eu dava enquanto segurava a mão de um rapaz um 

pouco mais alto que eu. Um estranho, sim, mas que sorria para mim 

como se nos conhecêssemos há anos. 

Magnólia também rodopiava em seu vestido púrpura, cheio 

de camadas, pelo salão festivo, decorado exclusivamente para seu 

baile de formatura. Minha irmã caçula estava estonteante, parecia 

uma princesa com os cabelos claros como os meus, caindo em 

ondas pelas costas nuas. Ela estava abraçada ao namorado e 

exibia um sorriso apaixonado, tão contagiante que por um momento 

nos esquecemos das presenças que geralmente sempre nos 

incomodavam. Os três homens de óculos escuros e muito bem 

armados, parados nas laterais do baile. 

Agora aquilo não importava. Naquele momento, eu só queria 

aproveitar a companhia do estranho colega de classe da minha 

irmã, que tinha um charme profundo, inusitado e o melhor... não 

aparentava temer os nossos guarda-costas. 

- Harry... - ele sussurrou em meu ouvido de repente, pouco 

antes de me rodar em seus braços e me puxar para perto. - Esse é 

meu nome, acho que deveria saber, já que pretendo te chamar para 

sair depois de todo esse espetáculo. - Ele olhou para a festa que 

estava abarrotada de alunos. 

O salão mais parecia ter saído de um filme da Disney. Entre 

conversas altas e risadas histéricas, várias fitas de seda desciam do 

teto da entrada até a área de dança. Uma pequena banda tocava 

sobre um palco luminoso e, em uma ala mais isolada, os 

professores observavam os alunos e seus convidados aproveitando 

a festa e provavelmente agradecendo a Deus por mais uma vez


terem se livrado de um amontoado de jovens agitados e 

barulhentos. 

- Harry - repeti o nome com um sorriso. Ele me encarou, 

os olhos cinzas varreram os meus com intensidade. 

Ele era tão lindo, tão charmoso e com certeza devia ter a 

idade da minha irmã, o que significava que Harry era três anos mais 

novo do que eu. Mas quem estava contando? Eu com certeza não... 

- Para onde vamos depois daqui? 

- Vai ter uma festa na casa do Carl. Um amigo da turma. 

Sua irmã foi convidada. - Ele soprou em meus ouvidos. - Seria 

sonhar demais querer que você fosse com ela? 

- Nunca te disseram que não há limites para sonhar? - 

Sorri, tentando conter a euforia. 

Ah, qual é? Ele tem 17, mas é bem gatinho... 

- Acha que consegue se livrar deles por lá? - Apontou com 

o queixo para um dos nossos guarda-costas que mais parecia ter se 

tornado parte da pintura do lugar. O homem nem sequer se mexia. 

- De 0 a 100? - Crispei os lábios. - 1%. Isso se um 

milagre acontecer. - Suspirei diante da realidade e senti sua mão 

comprimir ainda mais meu quadril. 

- Relaxa, a gente dá um jeito - ele disse ameno. - Nossa 

missão hoje vai ser despistar os MIBs ali, fora do olhar deles eu vou 

conseguir fazer o que mais quero desde que coloquei meus olhos 

em você. 

- E o que é? - Meu coração bateu mais forte pela mera 

expectativa, mesmo ciente de que era impossível distrair qualquer 

um daqueles homens, queria ao menos poder imaginar aquela 

conversa mais tarde. 

- Te beijar - sussurrou bem pertinho do meu ouvido. Um 

arrepio transpassou meu corpo. 

Um arrepio delicioso e cheio de expectativas que, no instante 

seguinte, se transformou no mais puro pânico, quando um som alto 

tomou o salão no exato momento em que a música parou. 

- Atirador! Tem um atirador! - alguém gritou. Mais um som 

seco e alto explodiu em algum lugar do salão.


Uma confusão generalizada começou. Imediatamente meus 

olhos buscaram Magnólia na multidão. As pessoas começaram a 

correr, tentando sair do salão e uma delas esbarrou em mim, 

afastando-me de Harry. Ergui o rosto e não consegui vê-lo outra 

vez. 

- Mantenha-se abaixada! - Braços e mãos me cercaram. O 

guarda-costas abaixou minha cabeça, cobrindo-me com seu corpo. 

- Cadê a Mag? - Tentei me erguer para olhar em volta, 

mas ele me impediu. 

- Estou com o Cristal, saindo pela lateral. 

- MAGNÓLIA! MAGNÓLIAAAAAAA... - comecei a gritar, já 

que ele não estava disposto a permitir que eu me levantasse. 

- O Diamante está bem na nossa frente, concentre-se em se 

manter abaixada, senhorita - ele alertou, enquanto sons de coisas 

quebrando e gritos agudos tomavam o lugar. 

Ergui o rosto a tempo de ver alguém esbarrando em Magnólia 

no meio da multidão, antes do guarda-costas mais uma vez abaixar 

meu rosto, fazendo-me encarar a barra do vestido púrpura de Mag 

se arrastando poucos metros à frente. 

Certo alívio tomou meu peito. Assim que saíssemos dali todo 

aquele pesadelo terminaria. 

Continuei caminhando, mal enxergando um passo diante de 

mim. Segundos depois, estávamos do lado de fora do salão de 

festas. Os guardas começaram a correr e nos induziram a fazer o 

mesmo. Fomos escoltadas até um dos quatro carros pretos parados 

na porta do salão, todos idênticos. Entramos no terceiro deles e eu 

demorei mais do que deveria para notar o que tinha acontecido. 

- Graças a Deus estamos seguras... - Virei-me para minha 

irmã que já estava sentada no banco do carona. Sua mão 

pressionava a cintura e só então vi a mancha vermelha que se 

espalhava pelo tecido. - Magnólia? - Ela me encarou, os olhos 

arregalados no rosto delicado e ligeiramente mais pálido me 

apavorou. - MAGNÓLIA! SOCORRO! - gritei, saltando-me sobre 

ela que começou a se debater e convulsionar. 

- O Diamante foi ferido, repito, Diamante ferido!


- Façam alguma coisa, por favor! Por favor, ajudem minha 

irmã! - implorei quando vi mais e mais homens chegando até 

nosso carro. Um deles tentou me tirar do lado de Magnólia. - Não, 

eu vou ficar aqui. - Mal fechei a boca e minha irmã começou a 

puxar o ar com força, seu peito subia e descia como se o ar não 

chegasse aos pulmões. Os lábios começaram a ficar roxos e foi 

então que o pesadelo começou. 

Sempre tive pavor de pesadelos... Ficar presa em um lugar 

que só te causa dor era terrível, doloroso, infernal. Mas havia uma 

coisa muito pior que as armadilhas da mente e dos sonhos... a 

realidade. 

Observei descrente um dos guardas rasgando o vestido de 

Magnólia enquanto ela sufocava. 

- Ela foi esfaqueada, mas não é um lugar fatal, então por 

que... - Ele encarou confuso o rosto pálido da minha irmã. 

- Ajude-a, faça alguma coisa, pelo amor de Deus! - 

Lágrimas sinuosas desceram por meu rosto enquanto meu corpo se 

mantinha inerte, como se de repente tivesse perdido todas as 

minhas forças. - Ajudem minha irmã. - Solucei. 

Sentia-me inútil, assistindo-a sufocar de estava de mãos 

atadas. Seu corpo balançava como se estivesse sofrendo um 

ataque epilético. 

- Vamos para o hospital. AGORA! - um dos guardas disse 

no rádio, mas antes mesmo que ele terminasse a frase, Magnólia 

parou de se mover repentinamente. 

Fechei os olhos, incapaz de encará-la. O medo misturado ao 

pavor e a dor que se insinuava pela minha garganta me congelou. 

Não queria abrir os olhos. Não queria encarar a verdade. 

O meu pior pesadelo tinha se tornado realidade.


Continua...


bela mentira

Capítulo 6 Cristhian   Se horas atrás a festa estava cheia e as pessoas transavam, bebiam e dançavam, agora que todos estão a ponto de ter u...