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sábado, 25 de fevereiro de 2023

uma noite com mafioso Prólogo


PRÓLOGO
CRISTHIAN GREY 
NEW CITY – EUA
VINTE E CINCO ANOS ATRÁS
— Meus amados filhos, para concluir o sermão desta linda

manhã de domingo ensolarada e abençoada, ouçam a mensagem reveladora
que eu, um profeta usado por Deus, verdadeiramente traz a esta igreja. —
Enquanto o meu pai, o reverendo Adams, muito conhecido no Distrito 21 de
New City, onde ficam as Streets 12 a 20, continua o sermão, toda a igreja
vibra em expectativa pelo que ele tem a dizer. — Nunca se esqueçam que o
que sai da minha boca é o recado oficial vindo diretamente dos céus, amém?
— A minha mãe, Beth Adams, que está sentada ao meu lado, escolhe
permanecer em silêncio, e discretamente abaixa a cabeça. — Quem crer nas
palavras deste sábio homem ungido? — Alguns membros da igreja ficam tão
empolgados que até se levantam para aplaudi-lo. — Vocês são beneficiados
na Terra por me seguirem, estão cientes disso?
— Nós somos, sim, reverendo, não há dúvidas. Mas, por favor, não
maltrate os corações dos seus filhos e nos diga, meu amado profeta... O que
Deus tem para nos dizer hoje?
Emma, uma das cantoras que é muito próxima do meu pai, não demora a
demonstrar a sua curiosidade para todos ouvirem.
— Eu vou te responder, minha querida Emma. — Ele se aproxima da
cantora. — O recado divino de hoje é: o amor, somente o amor, pode nos
fazer felizes. — Ele olha para os demais membros. — Vocês concordam com

a mensagem vinda do céu?
— Amém, eu concordo. E digo mais, Reverendo Adams. O amor se
renova a cada manhã.
Todos aplaudem o Sr. Gray, um dos membros mais antigos, mas o meu
pai logo pede silêncio, pois só quem pode ser aplaudido é ele.
— Enfim, agora ouçam em silêncio tudo o que eu tenho a dizer. —
Aponta para a plateia na sua frente. — Homens, se na casa de vocês existe
alguma desavença com as suas esposas, lembrem-se do sentimento que os
unem e nunca deixem o respeito de lado. Ela, a sua valiosa mulher, te ajudou
a construir a sua família. É ela que prepara um jantar gostoso todos os dias
para saciar a sua fome quando você chega do trabalho. Também é ela que em
todas as manhãs leva o seu herdeiro para a escola e quando volta é abraçada
pelos demais afazeres do lar. Por isso, nossas mulheres devem ser cuidadas
como se fossem uma rosa. Uma flor rara e preciosa.
Quando ele olha para a minha mãe e sorri, abaixo a minha cabeça na
mesma hora, a sobrepondo sobre os meus braços cruzados acomodados em
minhas pernas, e fico completamente encolhido, com vontade de sumir.
Também sinto muita raiva, pois me incomoda, de verdade, viver uma
mentira, e eu não tenho o que fazer. Eu queria proteger a minha mãe, mas
ainda sou uma criança.
Mas, mesmo com a minha pouca idade, eu vejo a realidade.
Sobre a minha escolha no momento de não olhar para o meu pai; eu sei
que para muitos estou errado, com certeza alguns membros da igreja vão 

notar o meu comportamento de, literalmente, tentar não ouvir o meu pai e,
pior, quando chegar em casa provavelmente serei punido por isso, até porque
do púlpito da igreja o reverendo com certeza está me observando.
— Cristhian... — Minha mãe toca em meu ombro, e carinhosamente
acaricia as minhas costas. Por causa disso, volto a minha atenção para ela e,
ao observá-la de perto e com mais atenção, percebo algo que me entristece.
Os olhos dela estão contornados com uma maquiagem que encobre algumas
marcas, mas eu, como sou o seu filho, consigo notar a diferença no tom da
pele, sem falar na tristeza em seu olhar, ela nem consegue disfarçar. — Você
sabe que quando o papai dá o sermão você precisa prestar atenção para
sermos exemplos aqui na igreja. É para o nosso bem, meu amor.
Cansado, dou de ombros.
— Tudo que o papai diz é da boca para fora, a senhora sabe, mamãe. —
Ela abre bem os olhos ao me ouvir, e com gestos pede para que eu faça
silêncio. — No dia a dia, ele não faz nada do que prega aos domingos. — Eu vivo com um falso mentiroso, e violento. Eu vejo o quanto a mamãe sofre, só
não sei por qual motivo ela continua com o meu pai. — Precisamos fugir.
Minha voz acaba saindo mais alta do que deveria, e quando eu aponto
para o meu pai percebo muitas pessoas nos olhando.
— Cristhian. — A voz da mamãe já sai um pouco trêmula, e dos meus
olhos lágrimas escorrem.
Eu sei que fiz besteira, por isso temo o pior.
Não por mim, o meu pai sempre diz que serei o seu sucessor, pois o

negócio da família, que é estar à frente da congregação, é bastante lucrativo.
De acordo com o meu pai, fazer com que as pessoas tenham fé e pregar a
promessa de uma vida próspera enchem os nossos bolsos.
Por isso eu não me preocupo muito comigo, no máximo serei proibido de
brincar com os meus amigos, mas verdadeiramente temo por ela, a mamãe. Já
perdi as contas de quantas vezes testemunhei o seu sofrimento e ouvi o seu
choro.
Eu sei, ela vai sofrer.
O meu pai já a espancou de todas as maneiras, e ele sempre tenta evitar
acertar o rosto dela, mas ontem nem isso ele poupou. E o meu amigo Oliver
Donnell
[1] viu tudo quando a gente estava chegando em minha casa após um
passeio de bicicleta.
— Inclusive, meus irmãos. — O maldito reverendo volta a chamar a
atenção para ele. Fecho o meu punho com tanta raiva, e por consequência as
minhas unhas marcam a palma da minha mão. — Só o amor nos faz aguentar
as birras dos nossos filhos, não é? Quem diria que hoje pela manhã passaria
por essa provação? O Cristhian está chateado, pois, como um bom pai, o afastei
da televisão por um tempo. Ele precisa melhorar as notas na escola.
Como a igreja acredita em tudo o que o meu pai diz, os presentes até
acham graça da situação.
Todos gargalham, e do nada voltam a dar glórias a Deus.
Mas eu não consigo sequer sorrir, nem um pouco, pois eu bem sei o que
poderá acontecer quando chegarmos em casa.

— Isso é muito feio, mamãe. O meu pai está mentindo.
Nervosa, a minha mãe se levanta, estende a mão para mim, e quando a
seguro ela praticamente me arrasta para fora da igreja e caminha comigo para
atrás de uma árvore robusta, localizada em um espaço que não podemos ser
vistos ou ouvidos, até porque alguns veículos enormes, de cor e vidros
escuros, estão estacionados logo à frente.
— Cristhian, você por acaso quer perder a sua mãe? Quer crescer sentindo
saudade de mim? — Enquanto repousa uma mão na direção do seu coração,
com a outra ela cobre a boca, e durante alguns segundos, enquanto dá alguns
passos de um lado para o outro, fica respirando fundo. — E-eu não tenho c-
condições de sumir no mundo com você, my sweet boy
[2]
. Não tenho sequer
um centavo nos bolsos, o seu pai não me dá nada, e me proíbe de trabalhar.
Você sabe que precisamos nos comportar e ter fé que um dia tudo mudará,
caso contrário Adams irá me matar.
Com dificuldade, por estar com o corpo todo marcado por baixo do
vestido, se ajoelha na minha frente e me abraça.
— Eu não quero te perder, mamãe.
A abraço de volta, e sinto quando ela treme de dor.
— Então, se comporte, você acabou de completar 7 aninhos, é um
menino, ainda precisa muito de mim. — Segura o meu rosto com as duas
mãos. — Por favor, Cristhian, mesmo querendo fazer sempre justiça com as
próprias mãos, me prometa que nunca mais terá esse tipo de comportamento.
Dá um beijo em minha testa, mas antes mesmo que ela possa se levantar

o meu pai se aproxima, e o olhar que ele direciona para nós dois é tão frio
que me deixa ainda mais temeroso.
— Beth, Cristhian, vão para o carro agora e não conversem com ninguém,
pois vocês estão chorando sem motivo algum. — Exibindo um sorriso que
encobre quem ele verdadeiramente é, acena para alguns frequentadores da
igreja que estão de saída, mas logo volta a atenção para nós dois. — Hoje
tenho uma lição vinda dos céus para vocês. — Afaga os meus cabelos, colocando mais peso do que necessário em minha cabeça, apenas para me
fazer sentir dor. — Você aprenderá o que é ser uma criança temente a Deus e
obediente ao seu pai. — Segura na mão da mamãe e crava as unhas na sua
pele delicada. — E você, Beth, mais uma vez, vou tentar te ensinar como ser
uma boa mãe. Se o seu filho sai dos trilhos, a culpa é sua. Será que eu me
casei com um demônio disfarçado de mulher submissa?
Com o corpo trêmulo, sentindo muito medo, quando começamos a nos
afastar, uma família da igreja nos enxerga e começa a caminhar em nossa
direção.
— D-devemos ir para o carro, Adams? Ou...
Ele não deixa a mamãe completar a pergunta e a interrompe, repousando
a sua mão pesada em seu ombro machucado.
Coitada, ela volta a se encolher.
— Fiquem, e se comportem. Essa família é muito generosa com as obras
de Deus. Até querem pagar as nossas férias. Enfim, precisamos tê-los sempre
por perto.

Com cuidado, abraço a minha mãe pela cintura, enquanto ele, o diabo em
pessoa, que se diz ser um homem exemplar, sorri como se não tivesse
pensamentos terríveis em sua cabeça.
E, como sempre, em público, enquanto conversa com os membros da
igreja, demonstra ser amável comigo e com a mamãe.
— Ah, como eu amo vocês, família Adams. São um exemplo. Eu
sempre tento ser uma mulher submissa como a Beth e digo para os meus
filhos seguirem o exemplo do Cristhian. Um menino que tem, sim, suas
travessuras, mas é muito obediente. — A simpática senhora olha para minha
mãe. — Beth, não precisa chorar envergonhada por causa da birra do Cristhian,
ele é só uma criança, e todos nós entendemos. A sua credibilidade de mãe
exemplar em nosso distrito não será abalada.
Ela abraça a minha mãe, em seguida, juntamente com o seu esposo e
filhos, mais uma vez nos cumprimenta, logo depois se afastam, então, muito
cansada, esgotada, a mamãe acaba deixando cair mais algumas lágrimas.
— Você vai mesmo me envergonhar na frente de todos, Beth? — Ele
olha para os lados, segura no braço da minha mãe de maneira violenta, volta
para perto da árvore e a empurra contra o tronco. — Pare de chorar agora,
mulher. Em nome de Deus.
Juntando toda a sua força, ela o empurra de volta.
— Pare de me bater. Mude, deixe de ser um monstro dentro de casa. —
Enquanto ela clama por misericórdia, o seu corpo treme, e do seu nariz o
sangue começa a escorrer. — Ou nos d-deixe em paz. E-eu não aguento mais
isso. — Após acariciar a barriga, demonstrando sentir muita dor, minha mãe

não se sustenta em pé, por isso acaba caindo de joelhos. — Tenha
misericórdia, Adams.
E perde os sentidos, me deixando muito assustado ao seu lado.
— M-mamãe. Mamãe. — Mesmo sabendo que ela pode sentir dor, eu a
abraço, mas o meu pai não se move, nem para pedir ajuda. Parece que ele
quer que a minha mãe morra. — Acorde, mamãe. — Ela não abre os olhos.
Por isso, usando toda fé que eu poderia ter, olhando para o pior homem que
deve existir no mundo, peço a Deus uma prova da sua existência. — Deus, s-
salva a mamãe. — Não consigo controlar o choro. — P-por favor. Prove para
mim que o Senhor não é como o meu pai, que existe e vai ter misericórdia de
nós dois.
Um homem alto abre a porta de uma minivan e, no mesmo instante, um
outro senhor, que parece ser bem rico e poderoso, todo vestido de preto, sai;
em seguida ele aponta uma arma para a cabeça do meu pai, e antes mesmo de
o Reverendo Adans ter a chance de dizer alguma palavra, ouço um barulho
bem alto e o meu pai cai ao chão.
Sem demora a grama verde abaixo da sua cabeça ganha um novo tom.
O vermelho mais vivo que já vi.
Fico por um tempo observando o sangue sendo absorvido pela terra, em
seguida também percebo que algumas gotículas de sangue espirraram em
mim e na minha mãe, mas não sinto nada.
Nenhuma dor ou tristeza. Nem sequer consigo chorar.
Sei bem o que aconteceu. O meu pai, o diabo em pessoa que espancava a minha mãe quase todos os dias, até se a comida estivesse sem sal ou o suco
sem açúcar suficiente, acaba de morrer, e por isso não duvido mais da
existência de Deus.
— D-Deus é amor, e também é justiça. Isso é verdade. Ele me ouviu.
Volto a olhar para a minha mãe e sinto os meus cabelos serem afagados.
Mas dessa vez nenhum peso extra é colocado.
— Dio
[3] ouviu a sua prece, garoto. Eu estava no carro o tempo todo,
assisti o seu desespero e não poderia de maneira alguma deixar o infelice
[4]
impune. — Eu o observo e acabo sorrindo. O homem na minha frente pode
estar usando uma roupa de cor escura, segurando uma arma, e ainda assim
parece um anjo. — Agora cuide da sua mãe. — Por ela, sim, o meu coração
continua apertado. — Adeus.
— Senhor... — Me estico um pouco e alcanço o tecido da sua calça antes
que ele consiga entrar no carro. — Se Deus ouviu a minha oração, ainda falta
uma parte para o milagre acontecer. — Olho para a mamãe. — Ela precisa de
ajuda, ou com certeza vou ficar sozinho no mundo. Ela apanhou muito
ontem.
Depois de entregar a arma a um rapaz, sem medo de ser visto pelas
pessoas curiosas que aos poucos, e timidamente, de longe nos observam,
exibindo uma segurança que eu jamais vi, se abaixa ao meu lado e segura o
meu rosto com as duas mãos.
— Ontem eu enterrei um filho da sua idade. Há dois anos a minha
esposa. Os dois se foram por causa de um atentado que a mia famiglia
[5]
sofreu. Eu achei que estava sozinho. — Ele olha para a minha mãe e toca em

sua bochecha, em seguida, verifica a respiração dela passando o dedo
próximo do nariz. — Mas eu acho que a vida está me dando uma segunda
chance. Por isso, está decidido, vocês dois vêm comigo.
Em poucos segundos, um outro rapaz me ajuda a entrar na minivan,
enquanto ele, o meu salvador, toma a mamãe nos braços, adentra o veículo, e
a mantém em sua posse.
Em poucos instantes, atingindo uma velocidade absurda, o motorista
avança o caminho.
— Nós vamos levar a mamãe para o hospital? — Ele olha para mim,
ainda se mantém todo sério, mas não me diz nada. Em seguida, observa o
rosto da minha mãe e, com um lenço de tecido que tira do bolso da camisa,
na cor branca, limpa o seu nariz. — E-e como devo te chamar?
— Grey. Esse é o meu sobrenome, e a partir de agora será o seu. —
Volta a tocar no rosto da minha mãe. — E o dessa linda mulher também.

Continua...

bela mentira

Capítulo 6 Cristhian   Se horas atrás a festa estava cheia e as pessoas transavam, bebiam e dançavam, agora que todos estão a ponto de ter u...